Roberto Vieira
Nascido em Juiz de Fora, em 1939, e formado em Arquitetura pela UFMG, Vieira iniciou sua trajetória nos anos 1960 e desde então mantém uma prática fiel à escuta profunda da matéria — da terra, do ferro, do vidro, do pó. Em suas mãos, o gesto experimental se transforma em alquimia, e a obra se torna espaço vivo de sedimentação e respiro.
As caixas que apresenta nesta mostra são como cápsulas de tempo, “antologias telúricas” que reúnem restos de paisagem, memórias e resíduos de civilização. Dentro delas, a natureza e o artifício se misturam em camadas de pigmento, arame, tecido, barro, flores plásticas e ferrugem — um teatro silencioso da vida em constante transmutação.
Mais que objetos, suas obras são organismos — microcosmos onde o artista recria um mundo que resiste à obsolescência. Nelas pulsa o mesmo gesto ancestral de quem modela a terra com as mãos, consciente de que toda criação é também vestígio, toda forma é também ruína.



